A crise não afeta ganhos insanos
Escrito por Nadja Medeiros - jornalista, publicitária e especialista em cinema e TV.
Em mais um momento de escândalos de corrupção no Senado, parlamentares e seus associados mantêm a “maquiagem” irretocável com o mesmo chauvinismo de sempre. Nomeações fantasmas de parentes de senadores e diretores não abalaram os envolvidos.
Bons exemplos de “Capitanias Hereditárias” seriam o ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, e o ex-assessor de gabinete, João Fernando Michels Gonçalves Sarney, neto do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AL). Com direito a festa de casamento de filha e salário de R$ 7200, esses elementos não irão se abalar com perdas recentes em suas contas bancárias. Haverá outras oportunidades. Por enquanto, o silêncio de Maia é mera suspeita da Polícia Federal, e para o Tribunal de Contas da União, uma possível ação de improbidade administrativa.
De acordo com a revista Época, cerca de 280 atos administrativos secretos foram utilizados pelos Recursos Humanos da Casa para aumentar o patrimônio da elite burocrática, sem concurso público. O mais atento talvez notasse um ar de “chacota” daqueles que são responsáveis para elaborar a legislação brasileira.
Foram anos de dinheiro público jogado no ralo. E não seria surpresa se a Comissão de Ética precisasse de mais 14 anos para chegar a um veredicto. Enquanto isso, outra mega empresa está sendo alvo de investigações: a Petrobrás.
Carro-chefe de campanha e boa imagem de Lula, a estatal brasileira tem tentado modificar o lado obscuro que a imprensa desenterrou, e despertando mais suspeitas. Com um lucro impressionante de R$ 34 bilhões/ano, vários cargos têm sido ocupados por indicação política. E na diretoria, conforme a Época, prevalecem executivos ligados ao PT, PMDB e PP, como José Sérgio Gabrielli, que recentemente divulgou o Blog da “transparência”, no intuito de intimidar a imprensa.
Ainda não ficaram claros os argumentos da Petrobrás quanto aos vários contratos sem licitação, que somatiza 36% ou 47% bilhões dentre os valores na construção e aluguel de prédios, patrocínio cultural, vigilância e escritórios de Advocacia. No ano passado, o deputado Gustavo Fruet (PSDB/PR) fez um pedido de acesso às contas da empresa, mas algumas vieram com selo “reservado”, impedida de ser divulgada. A questão foi para a Justiça.
Como se pode concluir, a democracia está atada a um controle político ainda obsoleto. Relembrando o ano de 2004, o plano do governo era criar um conselho para regular a atividade de jornalistas. O então ministro Luis Gushiken sugeriu uma “relativa” liberdade de imprensa. Felizmente, o projeto desandou.
Não é de se estranhar que a publicidade promova milagres. Quem sabe um banho de sangue, como a que os próprios petistas atribuíam ao Regime Militar, não se transforme em banho de petróleo.


